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Hare: Uma nova linguagem C?

Hare general purpose programming language

Hare: Uma nova linguagem C?


 Por volta de 2020 um grupo começou a desenvolver uma nova linguagem que a nomearam Hare e que em suas próprias palavras seria muito similar a linguagem C (quase todos os programas escritos em C podem ser escritos em Hare ) porém, tendo como grande diferencial, ser mais simples do que C. Na verdade, na FAQ da linguagem Hare é descrito que é mais simples que C, mais simples que Zig, que Go e muito, mas muito mais simples que Rust. Hare é simples, estável, robusta, sendo static type system, possuindo gerenciamento manual de memória e runtime mínimo.

 Assim como C, Hare pode ser utilizada para escrever sistemas operacionais, ferramentas de sistemas, software de rede de computadores e várias outras ferramentas de baixo nível e de tarefas de alto desempenho. Já existem relatos de sistemas operacionais escritos em Hare como o sistema operacional microkernel Helios inspirado no seL4 e um clone do Unix chamado Bunix que por ter sido inspirado no design do Linux, levou menos de 30 dias para um único desenvolvedor escrevê-lo e aprender bastante coisas sobre sistemas operacionais de kernel monolítico.

Bunnix boot process
Processo de boot do Bunnix

 Outros projetos também já foram implementados em Hare como OpenGL, Raytracer, gerenciador de senhaferramenta de criptografia, bindings para GUIs simples, um substituto para o cron, um shell rc inspirado na implantação do plan9 e muito mais.

 Outra característica é que Hare compartilha alguns recursos da linguagem Go como defer e design de biblioteca. Um fator que acredito que poderia atrair mais usuários e desenvolvedores para a linguagem Hare seria a adicionar as macros que não foram possíveis adicionar na linguagem C e assim dando origem a linguagem Odin.

 Hare está disponível sob os termos da the Mozilla Public License (MPL) e é tão pequena que cabe em um floppy disc de 3½". Ainda está na versão 0.24.2 e só entrará para uma versão comercial quando chegarem na versão 1.0.


The Hare programming language

Leia também sobre Rust


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minibase: Um outro conjunto de pequenas ferramentas para o userspace do Linux

small static userspace tools for Linux

minibase: Um conjunto de pequenas ferramentas para userspace do Linux


 Eu já apresentei vários pacotes com conjuntos de ferramentas diferentes disponíveis para Linux como o embutils de autoria do Felix Von Leitner que desenvolveu a dietlibc e que traz implementações de comandos como os do coreutils, o 9base que se trata de um port do user space do sistema operacional plan9 para os Unix, o sbase que é uma coleção de ferramentas do Unix que são facilmente portáveis para outros Unix, o ubase que é uma coleção de ferramentas similares ao util-linux porém visando ser menor, o rustcoreutils ou uutils que é uma versão de coreutils escrito na linguagem Rust por um ex desenvolvedor do Debian, o moreutils que é  coleção de ferramentas para Unix que ninguém havia pensado em desenvolver (mas que no final das contas eu também não as entendi muito bem) e o vcoreutils que é uma implementação do coreutils escrito na linguagem V além de outras ferramentas como o Busybox e o toybox que englobam vários comandos em um único binário e implementações do coreutils em outras linguagens como o nim coreutils e o golang coreutils

 Vejam quantas opções de pacotes existem para Linux além de outros que não possuem relação com o coreutils e possuem funções centralizadas como shadow-utils para criação de usuários de senhas, o procps para gerenciamentos de processos, ip-utils para troubleshooting com comandos como ping, o iproute2 e o net-tools para gerenciamento de redes e muitos mais. Linux não é limitado a ferramentas do GNU como a maioria de nós usuários de Linux costumamos propagar aos quatro ventos. Uma frase dita por Rob Landely que eu a adaptei e costumo adotar com frequência é que:

 "Tudo no Linux é uma questão de alternativas e escolhas. Se você não quiser utilizar o SSH, você pode utilizar o Dropbear. Se não quiser utilizar o Apache, você pode utilizar o NginX e assim por diante".

 O mesmo vale para shell, comandos, bibliotecas, compiladores, interfaces gráfica e tudo o que gira em torno o sistema operacional. É isso o que eu chamo de os vários sabores de Linux que não se trata apenas da próxima distribuição que você pretende adotar e sim de qualquer coisa que você queira utilizar no Linux. E como tudo é uma questão de escolha, o ucraniano Alex Suykov desenvolveu suas próprias ferramentas e as disponibilizou livremente sob o nome de minibase. Alex também é o autor do sninit que abordei também no artigo daemons, daemons e mais daemons init, um pequeno e estático init system para Linux.


Comandos do minibase

 O minibase serve como base de comandos para userspace do Linux para ser utilizado para bootar o sistema operacional, carregar módulos, montar partições, estabelecer conexão e fornecer serviços básicos ao ponto de poder carregar interfaces gráfica com o X ou o Wayland, permitir download de pacotes e muito mais.

 Os executáveis do minibase podem ser construídos com qualquer toolchain que constrói o kernel e são linkados estaticamente (ou seja, não necessitam de dependências externas). Seus binários são muito pequenos tendo entre 10KiB a no máximo 25KiB que o tornam confiáveis e fáceis de debugar. Está  disponível sob a licença GPLv3 (há ressalvas feitas no próprio README) para as arquiteturas x86_64 arm, aarch64, rv64, mips, mips64 e i386.

 O minibase ainda não é declarado como versão 1.0, há muito trabalho a ser feito e o autor pede para não enviarem patches ou commits. Caso queiram reportar bugs ou sugeris novas ideias, enviem solicitações.


Link para o github do minibase


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ClonOS - Uma alternativa ao Proxmox baseado no FreeBSD

ClonOS - Uma alternativa ao Proxmox baseado no FreeBSD

ClonOS - Uma alternativa ao Proxmox baseado no FreeBSD

 Depois que Xen server passou a ser pago, muitos profissionais passaram a migrar os seus clientes para outra solução como o Proxmox, o xcp-ng, o oVirt e até mesmo o Openshift da Red Hat que possui suporte a virtualização; a Nutanix também entra nesta briga como uma briga como concorrente da VMWare e muitas vem migrando para containers o máximo de aplicações possíveis e que pode gerar economia ainda maior:

 No ano passado, a VMWare foi adquirida pela Boradcom pelo valor de US$ 61 bilhões (uma das mais caras aquisições da indústria de tecnologia). Após esta aquisição, os produtos e serviços da VMWare passaram a ficar mais caros e consequentemente, as empresas que as possuíam, passaram a buscar outras soluções em virtualização. Há empresas que já mantinham outras alternativas de virtualização atuando paralelamente dentro de suas infraestruturas exatamente para se prevenirem de casos inesperados (lógico que tudo isso tem um custo que a curto prazo pode parecer caro, mas não quando necessário remediar a situação). Bom, e no meio de tantas soluções de virtualização no Linux (Linux é o sistema operacional com o melhor suporte a virtualização que existe), uma equipe desenvolvedores de FreeBSD decidiu projetar uma alternativa que a chamaram ClonOS. 



ClonOS: Uma alternativa ao Proxmox Baseada no FreeBSD

 ClonOS é uma plataforma baseada no FreeBSD e no framework CBSD que eu já abordei aqui no blog no artigo CBSD sendo portado para DragonflyBSD. O ClonOS vem com interface web para facilitar o controle, deploy e gerenciamento dos containers jails do FreeBSD e dos ambientes de virtualização tanto do Bhyve quanto do Xen. Além disso, o ClonOS disponibiliza suporte ao 9p (sistema de arquivos do plan9 utilizado o WSL) para ser utilizado no compartilhamento de diretórios do bhyve via virtio-p9; Bhyve management para criar e excluir VMs; conexão com console "físico" de convidado via VNC do navegador ou diretamente pelo sistema; monitoramento em tempo real; acesso a estatísticas de carga através do SQLite3 e beanstalkd; suporte a ZFS; import/export de ambientes virtuais; repositório público com virtual machine templates e ajuda baseada em puppet para a configuração de serviços populares. Há ferramentas que estão em andamento.


Site oficial do ClonOS

Mais sobre virtualização

Mais sobre FreeBSD


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run0: Um substituto do sudo no systemd

systemd run0. Lennart sudo replacement

run0: Um substituto do sudo no systemd


 No dia 29 de Abril, Lennart Poettering anunciou em seu perfil no Mastodon um dos mais novos recursos que será lançado na versão 256 do systemd; o run0, um substituto do comando sudo que oferecerá mais segurança. Lennart descreve com detalhes problemas do sudo como binário muito grande, arquivo de configuração complexo, plugins, acesso a rede, seu conceito de processos SUID ser esquisito (no estilo, digamos, a la gambiarra). Lennart colocou até mesmo um artigo muito interessante do site ruderich.org escrito em 2016 (com atualização em 2023) que apresenta a possibilidade de vulnerabilidades e a execução de códigos arbitrários tanto no comando sudo quanto no comando su.

"Vamos jogar fora o conceito de SUID na lixeira de más ideias do UNIX."

 Sim, por mais que o Unix tenha sido um sistema operacional revolucionário e que gostamos muito, o Unix também teve ideias ruins que de certa forma inesperadas como por exemplo o erro que ocorreu na árvore de diretórios; os sistemas  operacionais Plan9 e o Inferno tem como um de seus conceitos não repetir os erros que ocorreram no UNIX e essa é uma das belezas do Linux que, mesmo sendo um clone do Unix (o que não deixa de ser um Unix), Linux não está limitado aos conceitos do Unix. como afirmado pelo próprio Linus Torvalds em um evento que "sua ideia era tentar desenvolver um Unix melhor do que o Unix". Linus chegou a abraçar muitas das ideias vindo destes dois sistemas operacionais.

Leia também o meu artigo "Linux: Mais do que um Unix"

 Neste aspecto, Lennart está certo em tentar solucionar o problema do sudo que outros também já tentaram solucionar em outros Unix. Alias SUID, SGID e Stickbit é outro problema no Unix que já ofereceram soluções, no Linux já há solução implementada (capabilities) mas como sempre, as distribuições demoram a adotar.

"Com o systemd v256 vamos um passo a frente disso. Há uma nova ferramenta no systemd chamada "run0". Ou na verdade, não é uma nova ferramenta, na verdade é a ferramenta já existente "systemd-run" mas que quando invocado sob o nome "run0" (via link simbólico) ele se comporta muito como um clone do sudo."

 A diferença entre o sudo e o run0 é que o run0 não é um SUID, ao invés disso, o run0 solicita o serviço que invoque o comando ou shell sob o UID do usuário alocando o processo para um novo PTY isolado sem herdar nenhum contexto do do cliente.


E começam os conflitobs inuteis...

 O run0 nem foi lançado e o pessoal já começa a colocar defeito. No Twitter o usuário conhecido como hackerfantastic.x postou um print informando o que seria uma demonstração de exploit no run0. Honestamente, analisando o print, eu só vi uma tentativa de ridicularizar o run0 assim como fazem como o systemd. Se fosse o projeto que GNU que tivesse desenvolvido o run0, pateticamente iriam defende-lo com unhas e dentes, é somente uma birra com o Lennart mesmo.



 Eu mesmo tive que perguntá-lo se ele considera aquilo uma vulnerabilidade então porque ele não reportou ao projeto ao invés de postar em uma rede social. 
(me sigam por lá também, galera). Eu também já reportei bugs como vocês podem acompanhar no canal e no blog porém, não deixei de reportar ao projeto.


run0 não é a única alternativa ao comando sudo

 Essa não é a primeira vez que alguém cria alguma alternativa para o comando sudo e a reclamação de todos é exatamente a mesma (o sudo é inchado, brechas de vulnerabilidade, perda de desempenho, arquivo de configuração complexo e etc...). O mais famoso de todos é o doas (inclusive mencionado pelo Lennart em seu perfil no Mastodon) desenvolvido pela equipe do OpenBSD como um substituto minimalista ao sudo que torna seu código mais fácil de auditar e seu arquivo de configuração tendo a sintaxe mais fácil.



 Me admira saber que o doas não foi adotado como padrão pelas distribuições sendo que, se você entrar agora no Youtube e digitar opendoas, verá somente elogios para o doas  e sabendo que e está disponível nos repositórios das distribuições:

doas and sudo comparison
Comparação entre doas e sudo

 Outras alternativas também estão disponíveis como o gosu que seria uma implementação escrita na linguagem Go, o próprio projeto GNU possui uma alternativa ao sudo chamada userv (mas até aí está tudo bem, não é? Afinal de contas, foi o projeto GNU que desenvolveu então não há nada de criticas) e o próprio site do projeto sudo apresenta outras alternativas sejam elas open-source, sejam elas alternativas comerciais e até mesmo alternativas para o Windows.



 Então, uma dica que eu daria é que, antes de simplesmente criticar por ser um ideólogo a la contra systemd (eu não consigo entender porque a galera gosta de misturar tecnologia com ideologias), entenda que na verdade o sudo contem muitos problemas herdados e que precisam ser solucionados; já que eles não são, foram desenvolvidas várias alternativas. Você mesmo pode estudá-las e adotar uma que melhor te atenda. Tenha em mente que essa é a beleza do Linux, tudo no Linux é uma questão de escolha. Tenha também em mente que esse processo é natural e ocorrerá com vários comandos.

 O que eu não eu não entendi e me pergunto é qual a relação de um comando que concede permissão como administrador com um init system. Faz até sentido passar a administração do crontab para um unity .timer, mas parte entre sudo e systemd, ainda me ficou vazia a resposta. O que eu espero é poder utilizar e ver como funciona. O resta ideológico e birra contra o Lennart é só balela.


doas: A port of OpenBSD's doas which runs on FreeBSD, Linux, NetBSD, and illumos (github.com)

Opendoas: Versão do doas portado para Linux

Sudo Alternatives | Sudo

The 4 Best sudo Alternatives for Linux Worth Considering (makeuseof.com)

Lennart Poettering: "5️⃣ Here's the 5th installment…" - Mastodon

su/sudo from root to another user allows TTY hijacking and arbitrary code execution (ruderich.org)

run0 (www.freedesktop.org)


O dia que Laurent Bercot calou Richard Stallman: Eu não uso GNU, eu uso Linux!

GNU/Linux, Linux, Muito alem do GNU. Eu não uso GNU, eu uso Linux!. RMM

 O dia que Laurent Bercot calou Richard Stallman: Eu não uso GNU, eu uso Linux!

 Em Fevereiro de 2022, Laurent Bercot, autor do projeto ferramentas skarnet, como a skalib, execline e s6 (s6 é fortemente utilizado em containers e há uma proposta para o Alpine Linux adotá-lo) postou em seu perfil no site X o dia que deixou Stallman calado ao dizer que utilizava que utiliza exatamente Linux e não utiliza projeto do projeto GNU.

 Bom, eu já sou conhecido por ser escorraçado por essa galera devido a minha série Muito além do GNU e, gostem eles ou não, eu vou sempre postar sobre o assunto porque, tudo no Linux é uma questão de escolha. É simples lógica e de se encarar a realidade (o que não é o forte deles). A diferença entre eles e eu (e isso eu digo categoricamente) é que eu afirmo tudo isso baseado em argumento técnico enquanto eles só se baseiam em paixões. Essa é a prova exata de que eles se quer já leram uma manpage.

 Bom, vamos a o que realmente nos interessa neste post que é o artigo que, além de abordar a quebra desse paradigma irreal (GNU/Linux) também nos apresenta a origem do projeto Skarnet e de suas ferramentas.


A Convenção anual de software livre na França

 Havia uma convenção anual de software livre na França mas o debate entre Stallman e Bercot ocorreram inicialmente na convenção do ano 2.000 e estendendo para a convenção de 2.001. Stallman estaria presente ambos os anos para fazer sua apresentação. Laurent e seus amigos foram à convenção do ano 2000; foi sua primeira vez em um evento desses e ainda era muito novo nas comunidades open source.

"A apresentação do RMS foi... interessante. RMS é (era?) um excelente pregador. Ele é, de mais maneiras, uma figura religiosa, e eu entendi porque ele tinha tantos fanáticos. A causa que ele estava pregando era correta e nós tinhas vontade de abraça-la."

 Depois da palestra de RMS, todos estavam conversando em um corredor, Larent não sabia mas RMS estava atrás dele. Quando Laurent soltou a palavra Linux no meio de sua conversa, pronto... RMS parou na mesma hora a conversa que estava com outras pessoas e, nas palavras de Laurent, "como um tubarão cheirando farejando sangue" começou o seu discurso de moral e ética explicando porque Laurent deveria dizer GNU/Linux em vez de Linux, por pelo menos três minutos; o que nas palavras de Laurent era muito muito tempo. Era mesmo se levarmos em conta que é de pura balela. Aquela mesma lenga de sempre que vivem copiando do site do GNU postando nos grupos e comentando no meu canal de "Eu só gostaria de interromper por um momento. O que você está se referindo como Linux, é na verdade, GNU/Linux, ou como eu comecei recentemente a chamá-lo, GNU e Linux. ..." e bla bla bla bla bla.

 Bom, moral da história, Laurent só ficou ouvindo de forma insegura sem confrontá-lo no meio dos seus admiradores enquanto que Stallman simplesmente sorriu de autossatisfação, deu as costas e saiu andando sem parar para ouvir o que Laurent teria a dizer, porque escutar não é o forte do stallman.

 Laurent diz que se sentiu humilhado e a partir dali, Laurent começaria a sua revanche (ia ter revanche; ah sim, ia).


O início da skarnet

  Laurent agradece a Stallman por sua atitude pois a partir daí, Laurent se interessou por detalhes de como Linux bootava, quais componentes são necessários para faze-lo bootar, quais pacotes alternativos existiam que lhe permitiriam bootar o Linux sem executar qualquer coisa de origem do GNU; como init system é feito e o que é POSIX.

 A glibc foi substituída pela dietlibc e o coreutils foi substituído pelo embutils, ambas ferramentas desenvolvidas por Felix Von Leitner e já apresentadas tanto aqui no blog quanto no canal.



 As outras partes que faltavam foram desenvolvidas pelo próprio Laurent.  Laurent afirma que foram noites de sangue suor e lágrimas mas depois de quase um ano inteiro Laurent conseguiu bootar seu servidor Linux sem uma única peça de software do projeto GNU. E assim nascia o projeto http://skarnet.org que inicialmente se chamava antah server e  Laurent estava pronto para a revanche.


A revanche

 A convenção de 2001 não foi diferente da do ano anterior (mesmos rostos e mesmas conversas) e a palestra do Stallman foi basicamente a mesma coisa do ano anterior com a mesma dinâmica (o que não é nenhuma novidade).

 Quando foi aberto espaço para perguntas, Laurent teve a sua chance. Na verdade Laurent nem se lembra qual foi a sua pergunta e o bom da verdade é que ele disse que isso não importa pois sabia que iria conseguir completar a sua pergunta depois de sua abordagem inicial:

"Eu uso Linux."

 Quando Stallman quis interromper o raciocinio da pergunta (como de costume ele faz ao ouvir a frase "Eu uso Linux", Laurent já o interrompeu:

"Não. Eu use Linux, the kernel. Eu não uso GNU. Não há software GNU na minha máqina, o userspace é feito de outros tijolos de software. Quando eu digo "Linux", eu quero dizer exatamente o que eu digo."

 Laurent disse que Stallman ficou olhando para ele boquiaberto e não disse uma palavra e, nas palavras de Laurent, foi GLORIOSO. Seus amigos estavam rindo perto dele.

 Abaixo estão prints de evidencias do site Skarnet nos dias atuais;  até hoje não há presença de ferramentas do projeto GNU. trata-se de ferramentas bem interessantes levando em conta o downtime total e a quantidade de vulnerabilidades exploradas (apenas uma e sem sucesso) durante ~23 anos.

software powering skarnet
Ferramentas utilizadas no servidor Skarnet

Total de horas de downtime do skarnet em mais de 23 anos

2003-06-03: an attacker exploits a security hole in fnord to get reading access to some internal files. No harm done. fnord patched. In 2013, dietlibc abandoned for uClibc, then musl; fnord abandoned for busybox httpd. No security breach since 2003.
Histórico de vulnerabilidades no site skarnet (apenas uma tentativa frustrada em junho de 2003)

How much memory is used on skarnet website
Quantidade de RAM no site (excluído o kernel)

Software powering skarnet.org

 Claro, como sempre Stallman não daria o braço a torcer (o que já era de se esperar) e soltou a seguinte frase:
"Okay, bom, você provou um ponto. No entanto, esta é uma ocorrência bastante rara; em praticamente todas as máquinas, o sistema GNU..."

 E blablabla... Laurent diz que, mesmo não tendo mais como argumentar por serem incapaz de se questionar, ficou satisfeito porque encontrou seu propósito na jornada, alcançar o destino foi apenas um bonus. Depois disso, Laurent voltou para casa e continuou trabalhando em software de baixo nível para Linux. Depois disso, Laurent até palestrou no FOSDEM de 2017 sobre o s6, mas não voltou mais a eventos de software livre (fez bem).



 Depois disso tiveram comentários interessantes como:

"I submeti um patch para o core utils para remover "/GNU" por exatamente o motivo que você especificou. O patch foi rejeitado :)"

é obvio que seria rejeitado né 


"RMS ficou muito chateado quando tornamos a Web libwww public domain ao invés de disponibilizar sob GPL. "E se a Microsoft pegar o seu código?" Esse era exatamente o nosso objetivo."

 Toma


"Em 2006, eu estava bebado e debati com ele o fato de que as pessoas precisam de dinheiro para viver, o que deixou ele muito ofendido."

 Pow, até um bêbado destrói os argumentos dele. Alias, Stallman acha ruim as pessoas ganhar dinheiro mas ele mesmo cobra para tirar foto com ele (e cobra caro ainda por cima) e até mesmo por autografo. Hipocrisia bem típica.


Ninguém é *forçado* a utilizar ferramentas do GNU com o Linux. Por exemplo, eu tenho um box com ferramentas do Plan9 (rodando Gentoo). Então chamar de "GNU/Linux" seria simplesmente errado.

 Isso é verdade, eu mesmo já mostrei várias vezes o projeto 9Base que são comandos do sistema operacional plan9 portados para Linux (agradeço ao plan9 por várias ferramentas que existem no Linux hoje).


 A frase final  de Lauent é simplesmente a melhor forma de descrever do que se trata a minha série Muito além do GNU:

 Eu acredito que eu sou a primeira pessoa que na verdade fez isso na vida real, e eu vou continuar usando este distintivo com orgulho. E  me deixa perplexo, dado o montante existente de userspace de baixo nível que não são do GNU hoje em dia, a FSF ainda acredita que Linux == GNU. Fósseis!

 Além de não existir somente ferramentas do GNU, ainda temos o segundo ponto que Laurent descreve bem no inicio que eu já mencionei por várias vezes: A maioria das ferramentas que utilizamos no Linux, não são do GNU. Elas vem de outros sistemas operacionais como IRIX, Solaris, BSDs e até do próprio Linux (vocês que dizem que Linux é somente o kernel, vocês estão simplesmente muito enganados).

"Eu não culpo RMS ou a FSF por quererem comercializar com precisão o projeto GNU. No entanto eu os culpo por se recusarem a reconhecer que o GNU não possui o monopólio no userspace para Linux mais. Eles não tinham 21 anos atrás eles com certeza não tem hoje."

 Como eu sempre digo, não existe GNU/Linux nem tecnicamente, nem historicamente e nem juridicamente falando. Liberdade diz respeito a escolha e não a uma licença (que diga-se de passagem está em pleno declínio).

 Linux não não é e nunca foi limitado ao uso de ferramentas do projeto GNU; se isso fosse verdade, então não haveria liberdade. A adoção de ferramentas do projeto GNU no passado (e até no presente) foi dado devido a conceitos técnicos e não ideológicos como gostam de lhe contar. Desenvolvedores de outros Unix melhoraram as ferramentas do projeto GNU para seu próprio uso (como é o caso dos desenvolvedores de Solaris. Sejam gratos a eles, se não o GCC nem teria ido para frente) como uma alternativa mais barata e assim o projeto GNU se beneficiado (algo que eles costumam ocultar).


Fonte da informação pode ser lida clicando aqui.

Leia também: A verdadeira face de Richard Stallman

O paradoxo do navio de Teseu

Adeus software livre; olá Open Source

O dia que o pinguim adquire asas e cauda de um dragão de ferro

Quanto de GNU realmente há no Linux?
 

GEFS sendo portado para os OpenBSD

GEFS sendo portado para os OpenBSD

GEFS sendo portado para os OpenBSD


 Ori Bernstein vem trabalhando no desenvolvimento de um sistema de arquivos chamado GEFS (Good Enough File System). Ainda experimental, EGFS foi desenvolvido para o sistema operacional Plan9 ( que eu já tratei no canal e no blog) tendo a interface de sistema de arquivos 9p no topo de uma floresta copy-on-write Bε trees. O 9p seria utilizado assim como o BtrfsProgs e o XFSprogs.

 E assim temos mais um sistema de arquivos copy-on-write compatível com alguma estrutura tree; porém, não confunda Bε trees com B-tree. De acordo com a FAQ do Bε-tree File System:

"Bε-tree é uma B-tree, aumentada com buffers por nó. As consultas de ponto e intervalo se comportam de maneira semelhante a uma B-tree, exceto que cada buffer no caminho da raiz à folha também deve ser verificado quanto a itens que afetam a consulta."
  • Ser seguro contra colisão (crash-safe)
  • Detecção de corrupção
  • Sistema de arquivos com snapshotting simples e rápido

 Tudo exatamente nesta ordem. Ori explica a motivação para desenvolver o GEFS e portá-lo para o OpenBSD. Uma delas é que o UFS já está ficando datado. Para quem fala inglês, o vídeo abaixo é sua apresentação bem detalhada.


 O GEFS do OpenBSD será um fork da versão do Plan9 onde todas as novidades do Plan9 estarão disponíveis para o OpenBSD. O GEFS já anda apresentando ótimo desempenho, ótimos resultados e agora, cabe a nós esperar para vê-lo em produção.


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