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O Paradoxo do Navio de Teseu no mundo open source.

O Paradoxo do Navio de Teseu

O Paradoxo do Navio de Teseu no mundo open source.

 Este artigo é parte integrante de um livro sobre licenças de software livre e de código aberto que estou escrevendo (e que honestamente ainda não há previsão de lançamento). Mas o que me motivou a disponibilizar esta parte foram dois motivos. O primeiro foi que recentemente eu postei o artigo o envolvimento do Netfilter/Iptables em ações judiciais. O segundo foi durante a live sobre o projeto Pindorama Copa Cabana onde um dos pontos que abordamos foi sobre forks pois há alguns comandos no pacote Util-Linux que são forks de comandos do Core utils do GNU. E é aí que eu hoje resolvi bancar de filósofo sem formalidades e entro com O paradoxo do Navio de Teseu para que possamos analisar e melhor entender sobre código fonte e forks*. 

O NAVIO DE TESEU

 Teseu é aquele maluco da mitologia grega que enfrentou o Minotauro (o maluco é bravo mesmo).  Mas o que nos interessa aqui é sobre o paradoxo criado em torno dele. Em Vidas Paralelas, Plutarco propõe que se Teseu partiu com seu navio em uma viagem (que durou uns 50 anos) e ao longo dessa viagem seu navio precisou de manutenção (é obvio) ao ponto que ao final da viagem, todas as peças originais haviam sido substituídas, surge a questão:
Trata-se do mesmo navio ou de outro?
 E esse paradoxo virou uma bagunça; Heráclito e Aristóteles afirmaram que sim, aí vem Gottfried Leibniz afirmou que não; Thomas Hobbes piora ainda mais o assunto propondo que se remontassem o navio com as peças originais (por que alguém iria querer montar a porcaria de um navio com as peças velhas? Alias, quem seria desocupado o suficiente para ficar procurando estas peças?) se ambos os navios são o mesmo ou se são navios diferentes (aí que bugou a cabeça de todo mundo mesmo); John Locke já mete o bicão falando de meia furada (a conversa mais paralela que eu já ouvi) e o assunto foi tão longe que teve gente até mesmo falando de teletransporte...

 Esse paradoxo foi tema no ultimo capítulo da série Wanda Vision quando ambos Visões (a versão projetada por Wanda e o branco que foi reconstruído a partir do corpo original do Visão) lutavam entre si. O versão branca de Visão foi programada para destruir o Visão porém, ele é o visão; o original. Daí surge o debate entre os dois sobre o navio de Teseu e ambos chegam a conclusão de que os dois são o Visão (ou talvez não, sei lá. Assunto que vira uma bagunça na mente).

Vision vs Vision
Visão vs Visão em Wanda Vision.

 Bom, deixando essa balela filosófica de lado porque eu não tenho um pingo de interesse em falar de meia furada; vamos aproveitar a ideia do navio e substituir por código fonte.

 Então suponha que você seja o autor de um programa open source*; porém alguém cria um fork do seu programa e ao longo do tempo o código fonte foi tão modificado ao ponto que não há mais uma só linha do seu código original. E agora faço a mesma pergunta do navio:
Trata-se do mesmo programa ou de outro?
 Bom de acordo com a lei, quando um programa é totalmente modificado, não se trata mais do mesmo programa. Não há como reivindicar direito sobre o código fonte de outras pessoas.

 Externamente enxergamos o mesmo programa com funcionalidades semelhantes porém, internamente ambos são programas totalmente diferentes. Para entender melhor, vamos analisar dois projetos que passaram por situações semelhantes ao longo de sua história. São eles o 4.4BSD-LITE e o Busybox.

O CASO 4.4BSD-LIT vs USL

 Como já contei em uma live, a BSDI (Berkeley Software Design, Inc) tomou um processo da AT&T simplesmente por seu número de telefone conter a palavra Unix...1-800-ITS-UNIX. Pois é, um simples numero de telefone foi motivo o suficiente para a BSDI tomar um processo da AT&T que se estendeu por um bom tempo (em partes por culpa da própria galera do BSD).


 Só se chegou a alguma solução quando removeram certos arquivos e modificaram outros e assim surgiu o 4.4BSD. Em Julho de 1.994 foi lançado o 4.4 BSD-Lite não contendo nenhuma linha de código fonte AT&T (o 4.4BSDLite que deu origem aos BSDs que conhecemos hoje).


 Ou seja, com a remoção de todo código da AT&T, os BSDs continuam sendo Unix porém,  não mais o Unix da AT&T, Bell Labs, USL, Open Groups ou seja lá quem for. Não há como reivindicar direitos sobre os BSDs por não conter mais código fonte de autoria dessas instituições. No caso eles se tornaram outro Unix; Unix independente do original.

Busybox e o caso GPLv3

 O autor do Busybox é Bruce Perens; primeiro presidente a assumir o Debian após a saída de Ian Murdock. Bruce Perens é também o responsável pelo logo e pela ideia de codinomes do Debian serem inspirados na animação Toy story.

 Bruce desenvolveu o Busybox a partir de comandos já existentes, originados de outros pacotes como o Core utils do GNU e o Util-linux do... Linux.... A ideia era desenvolver uma ferramenta (um terminal de comandos) tendo somente os comandos necessários para que o kernel Linux pudesse utiliza-lo durante o processo de boot. Tanto que encontramos o Busybox dentro do initrd ou do initramfs.


 Porém, Bruce Perens deixou o projeto Busybox antes que ficasse pronto sendo então assumido por outros como Erik Andersen. Erik Andersen foi quem tornou o Busybox funcional para que pudesse ser utilizado como terminal de comandos padrão (assim como vemos no Alpine Linux e em muito roteadores). Após Erik Andersen, quem assumiu o projeto como mantenedor foi Rob Landley (o autor do terminal de comando toybox que é encontrado no Android desde a versão 7, no Tizen e em vários outros projetos).

 10 anos depois que o projeto se encontrava consolidado, com ferramentas funcionais e todos os problemas judiciais solucionados, eis que Bruce Perens surge de volta ao projeto como um herói (e até levando créditos pelos trabalhos de outras pessoas) e começa a querer ditar regras. Uma delas é que o Busybox deveria ser migrado para a licença GPLv3.

 Um dos motivos apresentados a Bruce Perens para que não ocorresse tal migração de licença foi que já não havia mais código do projeto GNU no Busybox. Então não haveria como fazer tal exigência.

BusyBox is not a GNU project, so the Free Software Foundation does not hold its copyrights; instead, those copyrights are retained by the original authors. As Rob looked over the code, he found many contributions with the usual "or any later version" language which would allow a change to GPLv3. Others, however, had the explicit "version 2 only" language. Some, contributed by one Linus Torvalds, state that they "may be redistributed as per the Linux copyright." Some other contributions carry a BSD license - originally with the GPL-incompatible advertising clause. It was quite the mixture of licenses.
Passe o cursor na imagem para ler a tradução (texto original clicando aqui)

 Um dos argumentos apresentados por Brunce Perens foi que ele era o autor do projeto e eles iriam fazer o que Richard Stallman mandasse.... Foram 9 meses de debate sobre o assunto que não levou a lugar nenhum. Houve até mesmo consulta de advogados (da qual Bruce Perens não compareceu).

 Rob landley chegou a passar dias analisando e comparando o código entre versões do Busybox para provar que existia mais códigos de Bruce Perens presente no projeto. A equipe do Busybox Sugeriu que Bruce perens fizesse um fork de qualquer versão do projeto para que atendesse às suas necessidade e Bruce até mencionou que faria porém... No final das contas, o BusyBox permanece até hoje sob GPLv2 e... Cadê o fork do Bruce Perens?

Conclusão

 As regras apresentadas aqui não são exclusivas a forks ou a software livre e de código aberto. Elas também são aplicáveis tanto ao próprio projeto ou até mesmo software proprietário. Você pode ter por exemplo um programa e modificá-lo por completo que ele também deixará de ser o mesmo programa.

 Como exemplo, reparem as duas imagens abaixo. tratam-se do código fonte do comando fsck. A primeira apresentada é do código de autoria do Linus Torvalds de 1991 e 1992 (quando foi lançada a versão 0.11 do kernel) e está disponível no util-linux-ng-2.13.0.1. Já a segunda está disponível no util-linux-2.38-rc1 e possui seu código totalmente modificado por Ted T'so, Karel Zak e outras pessoas. 

Fsck de autoria de Linus Torvalds no util-linux-ng-2.13.0.1
Fsck de autoria de Linus Torvalds no util-linux-ng-2.13.0.1

util-linux-2.38-rc1
O mesmo fsck do util-linux-2.38-rc1

 Mas mesmo que um programa tenha dado origem a outro, ambos são considerados programas diferentes se totalmente modificado (ambos possuem a mesma origem, o mesmo propósito, funcionalidades iguais, mas são programas diferentes), não tendo ao autor do original créditos e direitos sobre o posterior; esse é o foco principal deste assunto; tratar da questão de direitos autorais sobre o código fonte (sim, software livre e de código aberto também acabam agregando direitos autorais a seus autores). Os créditos são sempre reservados a cada um que realizou alguma contribuição (todos são autores e todos merecem seu reconhecimento).

 Mas se me perguntarem sobre o navio; se trata-se do mesmo ou de outro. Para mim trata-se de um navio pow... Vai entender o que passa na cabeça dos seres humanos. Não é a toa que ficar buscando inteligência fora da terra...
Busy busy busybox

Os casos judiciais envolvendo o Netfilter

Netfilter iptables nftables nft

Os casos judiciais envolvendo o Netfilter

 Por vezes eu já  relatei sobre casos de ações judiais relacionadas a GPL. Antes destes casos ocorrerem, a adoção da GPL era extremamente forte; mas após a publicação da GPLv3 e ocorrerem tais ações judiciais, tais casos levaram (forçaram) projetos e empresas a abandonarem a adoção da licença GPL e adotar licenças mais permissivas (ou adotar projetos open source que não possuem vinculo com a GPL). Os próprios desenvolvedores do Linux passaram a tomar cuidado com a GPL e realizar uma triagem com uma série de perguntas toda vez que recebem novos patches:
"De quem é este código?
Este código pertence a algum outro projeto sob GPLv3?
Este código vem de projetos do projeto GNU de 2007 em diante?"
 E assim projetos, meios acadêmicos, instituições e empresas seguem abandonando a GPL fazendo com que a licença entre cada vez mais em declínio (este declínio da GPL pode ser conferido clicando aqui).

 Entre estes casos estão ao menos quatro relacionados ao Netfilter/iptables, o framework de filtro de pacotes do Linux (o que popularmente chamamos de firewall). Mas há casos relacionados ao Netfilter que não estão nesta lista e que na verdade, quando foram descobertos, foi uma surpresa para todo mundo. São casos relacionados a Patrick McHardy, antigo principal líder de desenvolvimento do Netfilter que faturou milhões de Euros ameaçando judicialmente mais de 50 empresas.

 Devido a suas atitudes e sua ausência de respostas quando questionado pela equipe do Netfilter, em 2016 Patrick McHardy foi suspenso de suas atividades como membro do núcleo do Netfilter. Também informaram que as decisões sobre processos deveriam ser feitas mutuas, através de votação e não unilateralmente assim como Patrick vinha fazendo.

"Depois de perder contato com Patrick em relação a perguntas sobre suas atividades unilaterais de execução e sua subsequente suspensão da equipe principal em 2016, três membros atuais e antigos da equipe principal decidiram entrar com uma ação contra Patrick em 2020. Durante esse processo, a comunicação com Patrick foi restabelecida em 2021, e uma solução poderia ser alcançada."
"Este acordo estabelece que qualquer tomada de decisão sobre as atividades de fiscalização relacionadas ao netfilter deve ser baseada no voto da maioria. Assim, cada membro ativo do core team [5] no momento da solicitação de execução detém um direito de voto. Este acordo abrange execuções passadas e novas, bem como a execução de penalidades contratuais relacionadas a declarações passadas de cessação e desistência."
 A equipe do Netfilter continua a manter sua posição sobre a aplicação da GPLv2 (sempre a 2 por compatibilidade do kernel e porque a GPLv2 que era sinônimo de GPL) porém, reforçam que as decisões serão sempre mutuas (nunca idividuais). A equipe do Netfilter publicou uma nota (que pode ser conferida clicando aqui) explicando o que deve ser feito caso receba alguma notificação judicial por parte de Patrick McHardy. e deixam também a carta da corte alemã (onde geralmente ocorrem esses processos judiciais).

Conclusão

 Os casos apresentados aqui tiram a ilusão e fantasia de que a GPL é uma licença justa, libertadora da tirania das empresas; que empresas utilizam licenças proprietárias e direitos autorais como artifícios imorais para processar indivíduos, instituições e outras empresas. Tenham em mente que todas as licenças (sejam elas proprietárias, livres ou de código aberto) proporcionam recursos judiciais que possibilitam a movimentação de ações judiciais. Os casso apresentados aqui são provas disso (e muitos outros existem).

 Você possui algum projeto e busca por uma licença que realmente irá te livrar destes tipos de dores de cabeça? Quer que sua base de usuários não seja alvo dessas ameaças? Adote a domínio publico.

Universidade de Minnesota banida da Linux Foundation

    Greg Kroah-Hartman que é responsável pela versão estável do kernel Linux baniu a universidade de Minnesota após os estudantes Qiushi Wu e Kangjie Lu propositalmente adicionaram patches com falha (que vão desde Raspberry Pi até super computadores).

    No artigo intitulado "Re: [PATCH] SUNRPC: Add a check for gss_release_msg Greg" diz a Aditya Pakki:
Você, e seu grupo, admitiram publicamente que enviaram pacthes com bugies conhecidos para ver como a comunidade do kernel reagiria a eles e publicaram um artigo baseado nesse trabalho.
Agora você novamente submete uma nova série de patches obviamente incorretos, então o que eu devo pensar de tal coisa?
    Sim, os caras publicaram um artigo de 16 páginas no Github intitulado "Sobre a viabilidade de introduzir furtivamente Vulnerabilidades em software de código aberto através de Commits Hipócritas". Lá é detalhado modelo de ameaça, método de introdução de vulnerabilidade, exemplos de código, criticas e muito mais.

An overview of the vulnerability-introducing method.
Visão da introdução do método de vulnerabilidade.

    O que eles acreditaram estar fazendo ia lhes favorecer acabou foi se tornando um problema para eles. Gregg ainda finaliza a sua resposta com a seguinte frase:
 Nossa comunidade não aprecia ser testada ao submeterem patches conhecidos que não fazem nada de propósito ou que introduzem bugs de propósito. Se você desejar fazer trabalho como esse, sugiro encontrar uma comunidade diferente para executar seus experimentos, você não é bem vindo.
 Por causa disso, vou agora banir todas as futuras contribuições de sua universidade e e arrancar suas contribuições anteriores, já que elas foram obviamente submetidas de má fé com a intenção de causar problemas.
    Isso acaba servindo de alerta para todas as comunidade de software livre e de código aberto. Sempre há pessoas com más intenções e isso não é de hoje. Há ainda aquelas que iniciam cheias de boas intenções e que, quando suas ideias começam a divergir, agem da mesma forma que do caso citado. Mas acaba servindo de aviso para todos os projetos que fazem contribuições pois nos projetos open source são realizados trabalhos sérios e criteriosos.

NÃO! "Open Source" não significa "Suporte gratuito"

Não, "Open Source" não significa "Inclui suporte gratuito"

    A treta começa com um software chamado Raccoon. Raccoon é uma plataforma open source (sob os termos da licença Apache 2) e independente para download de aplicativos da Google Play Store. O objetivo é te dar acesso seguro aos aplicativos Android sem ter que comprometer o seu smartphone.

Raccoon

    O problema quando as pessoas começaram a reportar bugs e recebiam a seguinte resposta como no exemplo mostrado em seu blog:
Usuário: Oi, eu gostaria de reportar um bug em sua aplicação.
Eu: Ótimo! Então por favor, abra um ticket de suporte.
Usuário: Mas, parece que eu preciso pagar por isso?
Eu: Daí?
Usuário: Eu só quero te dizer que seu app está quebrado, assim você pode concertar.
Eu: Sim, essa é uma solicitação de suporte, por favvor abra um ticket.
Usuário: ...
    Pode parecer estranho a situação que acabaram de ler por estarmos acostumados a receber as coisas tudo de graça no mundo open source MAS, algo que eu sempre digo é:
Não confundam Free e open source software com Freeware.
    A palavra inglesa free pode realmente confundir as pessoas uma vez que pode significar tanto livre quanto de graça. Por exemplo na frase food for free (comida de graça e não comida livre). porém a palavra free em free software refere-se a liberdade (daí software livre) enquanto que em freeware refere-se a de graça (software gratuito).

    O problema é que a falta de leitura faz com que as pessoas que defendem software livre com unhas e dentes passem a condenar e abominar os que cobram por algum tipo de valor financeiro pelo serviço sendo que tudo isto já é previsto dentro das licenças (no caso da GPL é previsto a liberdade de distribuir cópias do software e até mesmo cobrar se achar interessante ou se desejar. Já a Apache 2 (que é open source) prevê no ultimo termo (termo nono) que você pode escolher oferecer e cobrar uma taxa por suporte, garantia, indenização e outros direitos). Ou seja, não há nada de errado no que o autor está fazendo.

    Em seu blog o autor menciona que ele desenvolveu a aplicação para solucionar seu problema e consequentemente disponibilizou gratuitamente junto ao seu código fonte. Então, se o procurarem para reportar um bug, ou as pessoas podem enviar o patch incluso no bugreport ou pagar para que ele solucione o problema (o que é totalmente lógico). O autor diz fica feliz em ajudar, mas além do seu tempo ser valioso, vender o suporte é o que manter as luzes acesas já que aquilo deixou de ser livre quando começou a lhe custar algum valor como manter o servidor web funcionando.
    As pessoas ainda não entenderam que o real sentido de software livre e de código aberto não se trata de receber e utilizar programas gratuitamente; trata-se de lhe oferecer condições de realizar o seu trabalho sem restrições. O que nos remete a celebre frase de Linus Torvalds:
Você suspira pelos bons tempos do Minix-1.1, quando os homens eram homens e escreviam seus próprios "device drivers"? Você está sem um bom projeto em mãos e deseja trabalhar num S.O. que possa modificar de acordo com as suas necessidades? Acha frustrante quando tudo funciona no Minix? Chega de noite ao computador para conseguir que os programas funcionem? Então esta mensagem pode ser exactamente para você. :-)
    Pois é, era exatamente sobre poder realizar seu trabalho que Linus Torvalds estava se referindo. Na época, mesmo o Minix sendo de código aberto, possuía restrições em seu licenciamento onde não era permitido a modificação do seu código fonte. Ou seja, as pessoas estavam limitadas a o que podiam ou não fazer no Minix mesmo podendo visualizar o código e até serem capazes de melhorá-lo. Até que é compreensível e uma ideia interessante já que a intenção era aguçar a habilidade de programação. Mas essa ideia de qualquer jeito frustrava a maioria dos seus usuários (e foi exatamente isso que inspirou Linus a escrever tal frase).

    Então uma dica muito interessante a ser dada aos que criticam esta atitude acreditando que, o que  moralmente deveria ser feita, é disponibilizar o software (inclusive o código fonte) simplesmente é:
Desenvolva o seu projeto e o disponibilize gratuitamente e não ache queas pessoas devam fazer o mesmo simplesmente porque você acredita.
    Então se você também quiser me ajudar, não esqueça de conferir o meu curso de migração para Linux e aprenda Linux de verdade comigo e assim você me ajuda a manter o meu canal e o  meu blog ;) 

hammerblade, um RISC-V com 511 núcleos

 Depois de rumores que os processadores ARM irão ter um aumento de preço como mencionei na ultima live, foi dito que as empresas começam a buscar novas soluções e seus olhos começam a voltar para o processador RISC-V uma vez que é open source (livre de patentes e com preço bem reduzido, permitindo além de produzir sem a necessidade de autorização (e até produzi-lo modificado), mas também repassar de forma mais barata ao consumidor final).

 Interessante é que em 2010, pesquisadores no MIT simularam e chegaram a conclusão que a capacidade máxima de núcleos suportado pelo Linux era de 48 núcleos (mesmo depois de adicionarem seus algorítimos) e que não mais do que isso. O que me faz pensar que talvez estávamos nos referindo a arquitetura errada.

 E falando de versões modificadas do RISC-V, no Fosdem de 2020 foi apresentado HammerBlade, um RISC-V manycore open source que está sob desenvolvimento desde 2015 e já possui seu silício validado com um chip de 511 núcleos de 16nm TSMC. Ele possui extensões de recursos para o RISC-V ISA que miram desempenho de GPU do mercado para computação paralela (ex. GPGPU) includindo graphs e ML workloads.


NÃO SE ESQUEÇA DE SE INSCREVER NO MEU CURSO DE MIGRAÇÃO PARA LINUX.
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Microsoft lança Promon para Linux

Procmon (abreviação de Process Monitor) é uma ferramenta clássica que ofederece um conjunto de ferramentas Sysinternals ao Windows e agora disponível para Linux. Procmon fornece uma maneira conveniente e eficiente para os desenvolvedores do Linux rastrearem a atividade syscall no sistema.


 Está disponível no Github da Microsoft sob a licença MIT e com informações até mesmo de como utilizar o Promon e exemplos de uso.
Mais sobre a atuação da Microsoft no mundo open source podem ser conferido clicando aqui
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Microsoft trará suporte exFAT para Linux

Microsoft trará suporte exFAT para Linux
Microsoft trará suporte exFAT para Linux
 Dia após dia a Microsoft anuncia algo novo para o Linux, cada vez mais ela mostra que realmente ama o Linux e eu vou acompanhando a medida que possível.

 Foi anunciado no dia 28 de Agosto pela Microsoft o suporte ao sistema de arquivos exFAT no kernel Linux. Daí você deve estar pensando: "Grande coisa, o kernel Linux já possui suporte ao exFAT. Então para que a Microsoft anunciou esse suporte?"
exFAT no Linux
exFAT no Linux
 E de fato há suporte no Linux ao exFAT; Linux é o sistema operacional com o maior suporte a sistema de arquivos no mundo. Mas o suporte a exFAT no Linux ocorre via FUSE, não de forma nativa, essa é a diferença. Como descrito em sua man page (man 8 fuse), o FUSE (File System in User Space) é na verdade uma interface simples para o user space que exporta um sistema de arquivos virtual para o kernel Linux. Apesar de fornecer uma certa segurança, uma degradação de desempenho ocorre através desse método. E é aí que entra a vantagem de se ter suporte nativo ao sistema de arquivos.
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 E para que a gente iria querer suporte a tal sistema de arquivos no Linux? Bom, o exFAT é utilizado em vários tipos de mídias de armazenamento como cartões SD flash USB. Com isso, as distribuições poderão incluir suporte ao sistema de arquivos sem se preocupar com problemas de patentes, distribuições como Android poderão trabalhar melhor e as empresas (incluindo a Microsoft. Por que não? Uma mão lava a outra) vão se beneficiar podendo trabalhar melhor em tais dispositivos.

 A microsoft tornou publica as especificações técnicas do exFAT (que é o que mais interessa para a comunidade Linux do que ficar exigindo o acesso ao código fonte).


Microsoft torna principal algoritmo do Bing Open Source

Algorítimo que acelera a busca do Bing agora é Open Source
Algoritmo que acelera a busca do Bing agora é Open Source
 Foi publicado no TechCrunch que a Microsoft tornou Open Source um algoritmo muito importante do seu motor de busca, o Bing. O algoritmo disponibilizado foi de uma biblioteca chamada SPTAG (Space Partition Tree And Graph) que faz com que a busca realizada pelos usuários retorne mais rápida através dos dados coletados e AI (Artificial Intelligence = Inteligência Artificial)
Gaáfico-como-o-SPTAG-funciona
Gráfico vetor demostrando como o SPTAG funciona











Essa biblioteca foi disponibilizada sob licença MIT (ainda bem) e fornecem todas as ferramentas necessárias para trabalhar com Linux e Windows. Sei que vão ter o que afirmam que eu odeio GNU com a minha afirmação sobre a licença MIT, mas que já leu meu artigo A queda da GPL? (e eu sei que muitos não leem porque depois veem me fazer as mesmas perguntas do que eu já falei) sabe do que eu estou falando.

 A Microsoft espera que esse algoritmo venha possibilitar que os desenvolvedores construam soluções similares e isso faz com que encontrem outros caso de usos em clientes e ambientes corporativos (além de poder aplicar novas soluções encontradas ao seu próprio motor de busca).
Linux-da-migração-a-administração-do-sistema-operacional
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 Como afirmado pela empresas, alguns anos atrás o o sistema de busca era simples. Os usuários digitavam um conjunto de palavras a respeito do assunto que que queriam. Hoje os mesmos usuários podem arrastar imagens para dentro do buscador (que inclusive foi tema no filme Buscando que aconselho assistirem, principalmente os pais) ou utilizar um assistente inteligente fazendo-lhe uma pergunta. Podem até mesmo fazer uma pergunta e aguardar uma resposta e não uma lista de páginas. Através desta biblioteca, a microsoft consegue realizar busca através de bilhões de pedaços de informações em mile segundos.
Agradeço ao Xalas pela revisão feita no meu texto.

Lançado Rook V1.0

Rook V1.0
Rook V1.0
 Rook é um orquestrador cloud native storage para Kubernetes que vem sendo desenvolvido desde 2.016 e já chegou a 5.000 estrelas no GitHub e já foi baixado quase 40 millhões de vezes. É, está virando moda falar de Kubernetes aqui no blog (o que não é nada mal. Na verdade é importantes).

 Rook automatiza tarefas do administrador (deployment, bootstrapping, configuração, provisionamento, scalonamento, atualização, migração, recuperação em desastre, monitoramento e gerenciamento) tornando sotrages em serviços auto-gerenciávei, auto-escalonáveis e auto-corregível.
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 Dentre alguns dos recursos da sua primeira versão estão suporte a object Storage Ceph, ao sistema de arquivos multi-cloud EdgeFS e ao sistema de arquivos NFS (pois é, NFS ainda tem que fazer parte do nosso conhecimento). A ferramenta já é utilizada em produção por várias empresas como a Crowdfox e Cloudways.
Fonte para saber mais sobre o Rook e baixar a versão 1.0

NSA lança GHIDRA, uma poderosa ferramenta de engenharia reversa para cibersegurança.

Ghidra
GHIDRA
 Não é de hoje que a NSA vem contribuindo com o desenvolvimento do Linux. A primeira forte contribuição com o Linux que consigo citar foi o módulo SELinux que é inclusive fortemente utilizado pela Red Hat no RHEL.
SELinux Decision Process
SELinux no Red Hat Enterprise Linux
Curso COMPLETO para a certificação CompTIA Linux+ e LPIC-1 do Mateus Müller do canal 4Fasters
 O SHA (como o 256/512) que usamos para conferir hashes, é outra contribuição feita pela NSA e incorporada também opção -Z ao comando ls do coreutils do GNU.


 Desde que Eduardo Snowden vazou informações secretas da NSA, o mundo inteiro se virou contra a agencia, inclusive os usuários de Linux por conta do SELinux criando o mito de que a NSA ameaçou a família de Linus torvalds até mesmo apontando arma para a cabeça de seus familiares para que Linus incorporasse o SELinux ao kernel.
SELinux dentro da opção Security options do kernel Linux
 Foi muito drama por parte de todos os usuários (tanto de Linux quanto do mundo inteiro). Só notem uma coisa; se você não quiser utilizar o SELinux, ora, você pode utilizar outros. Confiram só acima uma pequena parte da lista de módulos de segurança disponível para Linux. O Debian por exemplo, utiliza o AppArmor, O Suse utiliza (ou utilizava) o Tomoyo, o Tizen utiliza o Smack e assim por diante. Existem vários módulos de segurança que atendem necessidades diferente. Isso que é Os vários sabores de Linux.

 Dado que até hoje todo mundo dá sua opinião sobre o assunto, eu fiz a mesma coisa.


 Desta vez a NSA disponibilizou mais uma ferramenta chamada Ghidra que é uma suite de ferramentas para realizar engenharia reversa (SRE) para ajudar nas missões de cibersegurança. A ferramenta está disponível para Linux e Windows sob licença Apache e o vídeo abaixo dá explicações de como utilizar:

FreeBSD prentende adotar ZFS On Linux


ZFS On Linux a caminho de ser adotado pelo FreeBSD
ZFS On Linux a caminho de ser adotado pelo FreeBSD
 No dia 19 de Janeiro, Matthew Macy do projeto FreeBSD postou que pretendem mudar a base de código do sistema de arquivos ZFS no FreeBSD para o ZFS On Linux (ZOL). Isso devido a maioria do desenvolvimento do ZFS ter tomado lugar na empresa Delphix e no ZFS On Linux.

 O maior fornecedor do código do ZFS para o FreeBSD tem sido o IllumOS (Fork do antigo Open Solaris) desde 2007 e todas as possíveis correções de bugs e novos recursos que a comunidade FreeBSD tenta conseguir é enviado de volta para o IllumOS.

ZFS-do-IllumOS
Informações sobre o suoprte ao ZFS no FreeBSD
 Sendo assim, a comunidade FreeBSD percebe que haverá pouco (ou quase nenhuma) continuidade do desenvolvimento do ZFS no IllumOS e já que correções de bugs e novos recursos do ZOL não vão parar no IllumOS e nem no FreeBSD. Desta forma, a comunidade FreeBSD pretende dar continuidade a seu port do ZFS do Linux para o FreeBSD. Sim, já existe um port do ZOL para a FreeBSD e acho que essa é uma das melhores características do FreBSD e também uma das maiores criticas que tenho.


 Então, para quem está pensando em migrar para FreeBSD achando que vão ficar livres do COC, podem ter certeza que vocês tem grande chance de não escapar disso uma vez que a galera do FreeBSD porta muita coisa do Linux para si. Migrar de sistema operacional para outro não é a solução para todos os seus problemas; você pode estar eliminando um mas encontrando outros pela frente.

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