FreeBSD 16 livre da licença GPL

 

FreeBSD Base System Is Now Free of GPL-Licensed Software

FreeBSD 16 livre da licença GPL

 O FreeBSD 16 ainda não foi lançado (previsto para Dezembro de 2027), mas vários sites como FOSS Force, FOSSLinux, Slashdot e Phoronix veem publicando desde o dia 14 de Julho que o FreeBSD 16  conta com um dos seus principais destaques, ter removido completamente todo código fonte que seja regido sob a licença GPL da base do sistema operacional. No dia 21 de Fevereiro foi aberto o ticket D55424 intitulado "Retire dialog" que descreve:

"Esse é o ultimo restante de software GPL na base do sistema. O instalador fez transição para o bsddialog quatro anos atrás e o ultimo consumidor de dialog restante, o dpv, foi desligado mais de dois anos atrás. Aposentem o dpv, libdpv, libfigpar (utilizado apenas pelo dpv), e o próprio dialog."

O dialog era a ultima peça chave que estava presente no sistema que servia para fornecer interface de texto ncurses para o bsdinstall do FreeBSD e agora conta com o seu substituto, o bsddialog (veja também o bsddialog(1)). No dia 07 de Julho de 2026 foi publicado no GitHub do FreeBSD o Commit 134a4c7 com o título "Aposentem a subtree do GNU:

"Com o diff e cdialog do GNU removidos, isso agora é apenas uma casca vazia."

 Com esse commit, foi concluída a remoção completa da subtree do GNU da arvore de código fonte do FreeBSD (inclusive até das notas do arquivo README) tendo todos eles entrado para obsoletefiles.inc.

bsddialog

 A equipe do FreeBSD vem fazendo este pesado trabalho ao longo de um bom tempo. Duas soluções que o FreeBSD adotou eu já apresentei aqui no meu blog, sendo elas o comando bc de autoria de Gavin Howard e que é utilizado também no Android como dependencia para compilar seu kernel (e que já reportei um bug) e o pacote libarchive que contem comandos como tar, minitar, cpio e unzip.

 Deixar de utilizar licença GPL simplifica o processo de adoção não havendo mais a necessidade de ficar rastreando exigências da GPL (como é o caso que Linus Torvalds afirmou para não utilizarem o ZFS no Linux exatamente devido os conflitos entre suas licenças).

 Migrar para alternativas sob outras licenças open-source ou remover todo código sob alguma GPL se tornou um processo natural, coisa tal que já foi feito no próprio Android há muito tempo. Nas notas de rodapé do about do toybox é descrito:

"Desde que o Android não era "GNU/Linux" de jeito nenhum, nós precisávamos limpar todos os vestígios de software gnu de sua compilação para obter um sistema auto-suficiente limpo."

 Como mostro no artigo É possível que um dia Linux saia da GPL? a popularidade da GPL vem caindo cada vez mais desde de 2007 tanto para novos projetos quanto para projetos já consolidados que migraram para outras licenças. No próprio Android explicitamente se desencoraja o uso das licenças GPL e LGPL em seus produtos e gradativamente reimplementaram componentes (como sua pilha bluetooth) que estavam sob tais licenças por outros sob licença Apache (sim para quem não acreditam, o Android é uma distribuição Linux open-source). O Android ainda carrega a política de não conter nada sob GPL em seu user space; apenas em seu kernel space utiliza GPL já que que se trata do kernel linux vanilla onde não removem e nem modificam nada do kernel, apenas adicionando o que necessitam.

 Já a Apple congelou o Xcode nas últimas versões do GPLv2 (GCC 4.2.1 com binutils 2.17) por mais de 5 anos enquanto patrocinava o desenvolvimento de novos projetos (clang/llvm/lld) para substituí-los, implementou um novo servidor SMB do zero para substituir o Samba, substituiu o bash pelo zsh e assim fez com toda a sua pilha de programas da base do MacOS X.

 Existem até projetos que mesmo que continuem utilizando GPL em seus projetos, acabam deixando notas autorizando o uso e a promessa de não processar os usuários. Veja como exemplo a FAQ da dietlibc:

"Q: GPL é ruim!  Agora eu não posso compilar meus programas BSD com a diet libc! 
A: Errado.  você pode compilá-los e utilizá-los. Você só não pode redistribuir os binários. Dito isso: Eu não vou processar ninguém por distribuir binários de programas BSD linkados à dietlibc, contanto que o código fonte esteja disponível em algum lugar público."

 A própria Linux Foundation fundou a SPDX (System Package Data EXchange: ISO/IEC 5962:2021) para que, de forma simples de explicar, proteger legalmente os projetos evitando que eles tenham conflitos entre as licenças open-source. O toybox por exemplo, sendo regido sob a clausula zero BSD (0BSD) possui um identificador da SPDX que te direciona ao site oficial BSD Zero Clause License | Software Package Data Exchange (SPDX).

  Ainda é possível utilizar software licenciado sob GPL no FreeBSD através de instalação separada (o que é algo que ocorre também no Android).

Como eu já disse no passado:

  1. Nem todas as ferramentas que utilizamos nas distribuições Linux são do projeto GNU como alegam. A maioria são do próprio Linux* ou de outros Unix.
  2. As ferramentas do GNU são substituíveis.
  3. Nem toda ferramenta que o projeto GNU alega ser deles é deles de fato.
  4. A maioria do código das ferramentas do projeto GNU é desenvolvido por outros projetos (incluindo o próprio Linux) e outras empresas, menos pelo próprio projeto GNU (foram quando não dão créditos as pessoas).

 

*Pois é, mentiram para você esse tempo todo alegando que Linux é somente o kernel do sistema operacional.


 Leia também aqui no blog:

Muito além do GNU

FreeBSD

BSDs

O dia que Laurent Bercot calou Richard Stallman: Eu não uso GNU, eu uso Linux!

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