É Linux ou GNU/Linux? O debate no Linux Journal


Pois é, se acham que esse é um tema debatido unicamente por mim, estão todos muito enganados. Mais ou menos uma semana atrás eu postei o artigo onde o português Pedro Côrte Real mostra o quanto realmente há de GNU no Linux (o que é menos que o próprio kernel Linux). O que tem que ser avaliado é que o percentual de código de um projeto em uma distribuição não é igual em outra. O segundo aspecto a ser avaliado é o percentual de código realmente útil que há lá e não somente o percentual presente.

Desta vez o assunto está rolando no site Linux Journal onde perguntam a profissionais envolvidos no Linux (e Unixes antes do Linux) sobre como chamam o nome e por que. agora confiram o resultado deste debate.

O debate já começa com Larry Cafiero, que é um escritor de longa data sobre Linux e FOSS e leva deveres públicos à Southern California Linux Expo:
"Esse tem sido o debate mais ridículo no reino FOSS."

Steven J. Vaughan Nichols, que vem cobrindo Unix bem antes do Linux não mediu palavras:
"Já Basta. RMS tentou e falhou em criar um sistema operacional: Hurd. A tentativa sem fim dele e da Fundação do Software Livre de engessar o nome GNU ao trabalho de Linus Torvalds e de outros desenvolvedores do kernel Linux é dissimulado e um insulto ao trabalho deles. RMS tem créditos pelo EMACS, GPL e GCC. Linux? Não."

Alan Zeichick que é analista na Camden Associates e que frequentemente fala, consulta e escreve sobre projetos open source para as empresas disse:
Para mim sempre, sempre, sempre foi Linux. Cem por cento. nunca GNU/Linux. Eu sigo as normas da industria."

Gaël Duval que foi o fundador das distribuições Mandrake/Mandriva e agora envolvido no desenvolvimento do eelo (um clone do Android focado em privacidade), diz o seguinte:
"Eu entendo as pessoas que defendem a ideia de chamar de GNU/Linux. Por outro lado, eu não vejo por que nesse caso não usaríamos "GNU/X11/KDE/Gnome/Whatever/Linux. Pessoalmente, estou confortável com ambos, Linux e GNU/Linux, mas eu utilizo simplesmente Linux, porque adicionar complexidade na comunicação e no marketing geralmente não é eficiente."

Richi Jennings que é analista independente de negócios e que redige uma coluna semanal para TechBeacon, expressou um sentimento similar. "Olha, é totalmente justo dar ao projeto GNU o seu devido. Por outro lado, se essa justiça precisa ser expressada em uma convenção de nomes, por que parar no GNU? Por que não também reconhecer o BSD, o XINU, o PBM, o OpenSSL, o Samba e incontáveis outros projetos FLOSS que precisam ser inclusos para formar uma distribuição funcional? O ponto aqui é que 'Linux' é o que a vasta maioria das pessoas chamam. Então é assim que deve ser chamado, porque é assim que a linguá funciona."

A guru de Linux Carla Schroder disse: "Eu nunca chamei GNU/Linux. GNU coreutils, tar, make, gcc, wget, bash e assim por diante ainda são ferramentas fundamentais para um monte de usuários de Linux. Certas pessoas não conseguem deixar qualquer discussão sobre Linux passar sem insistir que 'Linux' é somente o kernel. Distribuições Linux incluem a maioria de software non-GNU, e eu estou bem com 'Linux' como um termo umbrella para todos os trabalhos. É simples e amplamente reconhecido."

É interessante pois tudo o que disseram é o que venho mencionando no canal e no blog faz um bom tempo e que todos tem visto desde o vídeo "Linux, dando nome a criança". Na verdade bem antes disso, mas esse já é um bom ponto de referência. Quando chamamos somente de Linux, isso não torna GNU menos importante ou de menos valor; na verdade, abrange também a GNU pois quando dizemos Linux é mais amplo do que dizer GNU/Linux.

E também é interessante a forma como o artigo termina dando o seguinte conselho:
Se alguém lhe der alguma aflição, diga eles o que Schroder me disse: "Argumentar é divertido, mas sugiro que contribuir financeiramente ou de outras formas aos projetos GNU/Linux/FOSS é mais útil."

Aprendam essa ao invés de ficarem se preocupando demais com nome ou com filosofia.

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