Como conheci o Alpine Linux

Alpine Linux
Alpine Linux

Certo, essa semana demos inicio novamente à serie Os Vários Sabores de Linux. Essa é a segunda temporada desta serie que todo mundo vive me pedindo para que volte e eu escolhi a distribuição Alpine Linux para dar a abertura:

OK. E por que vou contar como conheci essa distribuição? SIMPLES! Porque ela é importante. Essa é a base para me ter dado inicio a MUITO ALÉM DO GNU. Daí agora a indagação deve ser: "Como assim?"

Bora debater então. Antes de contar como conheci o Alpine, é preciso dar um passo atras, coisa de dois anos. Mais ou menos em 2010 ou 2011 eu li uma noticia de que já era possível compilar o Linux com o Clang. Isso me chamou a atenção porque podíamos usar outro compilador além do GCC. Fora que a primeira biblioteca que eu conheci que não fosse a tão divulgada GlibC foi a uClibc. Daí em 2012 eu estava pesquisando no Google sobre um carro da Renalt chamado Alpine. Esse da foto abaixo:

Renalt Alpine
Renalt Alpine

E como o Google vinculou a pesquisa a o que pesquiso bastante (Linux), logo o Google me devolveu como resposta Alpine Linux. Daí pensei:
"Uma distribuição com o nome de Alpine? Bora ver o que ela tem a oferecer"
Viram como nem sempre é sinal de que estão te espionando?

Descobri que era uma distribuição que utilizava a Musl como biblioteca C padrão ao invés da GlibC e o busybox ao invés do Bash. Primeiramente procurei saber o que a Musl tinha oferecer (e me apaixonei) e segundo é que se ligarmos os fatos, uma distribuição com kernel Linux, com uma biblioteca C que não é do GNU, um terminal que não é do GNU (apesar que o Busybox é um agrupamento de coisas que já existem, mas o toybox não) e ainda podermos compilar tudo com um compilador que não seja o GCC me levou a fazer as seguintes perguntas:
"Quer dizer que Linux não possui vinculo obrigatório com o GNU? Quer dizer que Linux se estende a muito além do que GNU tem a oferecer? Ou seja, Linux não está limitado a GNU?"
E a resposta é: EXATO PARA TODAS AS PERGUNTAS!

Eu já era analista há quatro anos e não sabia disso. Eu a deveria saber até antes disso uma vez que já havia feito curso de LPI três anos antes desta descoberta e há anos usava KDE. Mas OK.

Você deve estar se perguntando:
"Mas então por que quando digitamos uname com as opções -a ou -o aparece escrito GNU/Linux?"

uname, uname -a e uname -o
uname, uname -a e uname -o

SIMPLES! Isso acontece porque o comando uname que você utiliza foi desenvolvido pela comunidade GNU fazendo parte do pacote coreutils. Essa foi uma forma de promover a fraca ideia da obrigatoriedade do nome GNU/Linux. Falando de core-utils, ainda vai ter um vídeo no canal debatendo e destrinchando um pouco melhor o assunto.

core-utils
man uname

Mas retomando o raciocínio, se baixarmos o toybox (seja código fonte ou binário), e digitarmos ./toybox aparecerá uma lista de comandos. Apesar de comandos que você provavelmente já conheça, todos estes comandos foram escritos do zero, inclusive o comando uname ;)

Comandos do toybox
Comandos do toybox

Digitando ./toybox uname -a ou ./toybox uname -o, repare que aparecerá somente o nome Linux e não GNU/Linux.

./toybox uname, ./toybox uname -a, ./toybox uname -o
./toybox uname, ./toybox uname -a, ./toybox uname -o

Viram como o nome "GNU/Linux" não é algo obrigatório no sistema operacional? Falando em nome, sabiam que o nome Linux é propriedade intelectual de Linus Torvalds? 


Ele detém os direitos autorais sobre o nome Linux. É aí que eu acho a comunidade GNU incrível, defendem tanto que tudo deve ser livre e que tudo o que é proprietário é abominável mas brigam muito pelo direito do nome do seu sistema operacional livre aparecer em destaque em um nome proprietário... Alias, a comunidade GNU pediu autorização a Linus para chamá-lo de GNU/Linux? já que eles defendem o que é moralmente correto a ser feito, pedir autorização para tal uso é o que DEVE moralmente correto ser feito. Sabiam inclusive até que Linus poderia meter um processo nessa galera que quer forçar a todos a chamar de GNU/Linux pelo uso do nome Linux sem sua expressa autorização?

Marcas de serviços são uma variante de marcas registradas conceitualmente similares a subarrendamento. Por exemplo, Linus Torvalds possui a marca registrada do "Linux" (porque outra pessoa o registrou como o criador do produto, processou a comunidade para que saíssem disso, provado seu caso, acabou possuindo uma marca registrada), e empresas como Red Hat Linux e VA Linux ter que possuir declarações assinadas do Linus concedendo-os permissão para incorporar sua marca registrada em suas proprias marcas registradas. Ninguém mais pode chamar suas versões de Linux "Red Hat", mas a Red Hat não poderia utilizar o termo "Linux" sem a permissão de Linus. Linus só tem se incomodado em reforçar sua marca registrada uma vez até agora, para impedir a venda de um grupo de domínio de nomes "Linux" por um ocupante. Seu e-mail no assunto é bastante informativo sobre lei de marca registrada em geral.
Passe o cursor para ler a tradução do artigo vindo do site Montley Fool

Fica então a matéria para meditação, aprofundem-se em conhecer melhor o sistema operacional que utilizam e azar de quem vier fazer dar chilique defendendo a GNU.

Analista (bilíngue) de sistemas, redator do blog Diolinuxtradutor da distribuição Funtoo e parte da distribuição IPFire, do manual chamado Caixa de Ferramentas do UNIX e do manual Zsh Lovers. Dono dos canais e blogs Toca do Tux e Resenha Nerd:

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